Acervo histórico e genealógico
Da Independência do Brasil ao Congresso Nacional de hoje: seis gerações de uma família que nunca deixou de fazer história.
1763 — presente
Pesquisa e Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Há famílias que dão um nome à história. A dos Andrada deu três, e depois mais dez.
José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Francisco Ribeiro de Andrada nasceram na pequena vila de Santos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, e atravessaram juntos os anos mais decisivos da formação do Brasil como nação. Foram, durante os anos centrais da Independência, praticamente um único corpo político. Agiram juntos, caíram juntos e foram exilados juntos.
Mas a história da família não terminou ali. Seus filhos, netos, bisnetos e tetranetos voltariam a ocupar, geração após geração, os mesmos espaços de poder que os três irmãos ajudaram a construir: o Ministério da Fazenda, a presidência da Câmara dos Deputados, o Supremo Tribunal Federal, a presidência de Minas Gerais e, mais recentemente, o próprio Congresso Nacional. Da Independência de 1822 ao mandato em curso de um deputado federal hoje, os Andrada atravessaram quase dois séculos sem nunca deixar de estar presentes na vida pública brasileira.
Esta página apresenta a família em gerações e a árvore genealógica completa, reunindo os nomes que ligam a Independência ao Brasil contemporâneo.
Pesquisa e curadoria: Pedro Lorenzo Raggio Neto.
Dos três irmãos da Independência ao Congresso Nacional de hoje, a presença pública dos Andradas atravessa seis gerações.
1ª Geração · 1763–1845
A história política dos Andradas começa com três irmãos nascidos em Santos no século XVIII: José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Francisco. Nos anos decisivos da Independência, eles atuaram como um verdadeiro corpo político: construíram poder, enfrentaram a crise da Constituinte, caíram juntos e seguiram juntos para o exílio.
José Bonifácio foi o estrategista da Independência; Antônio Carlos, a voz constitucional; Martim Francisco, o administrador e homem de governo. A partir deles, o nome Andrada passou a se ligar à Independência, à Constituição, à unidade territorial e à formação do Estado brasileiro.
Santos, 1763 – Niterói, 1838
Conhecido como o Patriarca da Independência. Cientista, mineralogista, estadista e ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros de D. Pedro. Foi o principal articulador político da Independência do Brasil, defensor da unidade territorial e autor de projetos sobre administração, instrução pública, indígenas e abolição gradual da escravidão. Após a abdicação de D. Pedro I, foi tutor de D. Pedro II.
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Santos, 1773 – Santos, 1845
Jurista, magistrado, deputado e uma das vozes mais combativas da família Andrada. Representou o Brasil nas Cortes de Lisboa, onde enfrentou os projetos de recolonização portuguesa. Em 1823, teve papel central na Assembleia Constituinte e na defesa de uma monarquia constitucional para o Brasil. Preso após a Noite da Agonia, seguiu para o exílio ao lado dos irmãos.
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Santos, 1775 – Santos, 1844
Naturalista, administrador público e ministro da Fazenda no período decisivo da Independência. Irmão mais novo de José Bonifácio e Antônio Carlos, atuou na organização financeira e administrativa do novo Estado brasileiro. Também participou da Assembleia Constituinte de 1823, foi preso após a Noite da Agonia e partiu para o exílio com os irmãos.
Perfil completo ›2ª Geração · 1825–1893
Filhos de Martim Francisco e de Gabriella Frederica de Andrada, filha de José Bonifácio, esses três Andradas chegaram à vida pública no auge do Segundo Reinado. Ocuparam ministérios, o Senado, o Conselho de Estado e a presidência da Câmara. Mas seguiram caminhos diferentes: enquanto Martim Francisco, o Filho, e José Bonifácio, o Moço, permaneceram monarquistas até o fim, Antônio Carlos, o Senador, declarou-se republicano em 1886 e transferiu a família para Barbacena. O ramo mineiro que ele fundou ali produziria as quatro gerações seguintes desta lista.
França, 1825 – 1886
Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Justiça durante a Guerra do Paraguai. Conselheiro de Estado e conselheiro pessoal de D. Pedro II. Presidente da Câmara dos Deputados em 1882. Monárquico convicto até o fim da vida.
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Bordéus, 1827 – São Paulo, 1886
Professor na Faculdade de Direito de São Paulo, teve entre seus alunos Rui Barbosa, Castro Alves, Joaquim Nabuco e Afonso Pena. Deputado, ministro da Marinha, ministro do Império e senador. Recusou o convite de D. Pedro II para presidir o Conselho de Ministros. Joaquim Nabuco o chamou de "a mais nobre, a mais pura, a mais alta individualidade do nosso país". Patrono da cadeira nº 22 da Academia Brasileira de Letras.
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Santos, 1835 – Barbacena, 1893
Declarou-se republicano em 1886, quando seus próprios irmãos ainda defendiam a monarquia. Transferiu-se para Barbacena, onde casou e criou treze filhos. Senador constituinte estadual em 1891, foi protagonista do debate que fixou Belo Horizonte como nova capital de Minas Gerais. Do casamento nasceram Antônio Carlos IV e o embaixador José Bonifácio.
Perfil completo ›3ª Geração · 1853–1954
Com a passagem para a República, a força política da família deslocou-se de São Paulo para Minas Gerais. Em Barbacena, os descendentes de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o Senador, formaram o ramo que chegaria ao governo de Minas, à Câmara dos Deputados, à diplomacia e à Revolução de 1930.
São Paulo, 1853 – Rio de Janeiro, 1927
Deputado provincial, presidente da província do Espírito Santo e secretário da Fazenda de São Paulo. Federalista que chegou a defender a separação de São Paulo do restante do país. A posição lhe custou a prisão sob Floriano Peixoto.
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Barbacena, 1870 – Belo Horizonte, 1946
Presidente do estado de Minas Gerais de 1926 a 1930. Um dos líderes civis da Revolução de 1930, autor da frase que resume o impasse que a deflagrou: "Façamos a revolução antes que o povo a faça." Presidente da Câmara dos Deputados e principal articulador da Assembleia Nacional Constituinte de 1934.
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Barbacena, 1871 – Rio de Janeiro, 1954
Trinta anos ininterruptos na Câmara dos Deputados, da República Velha à Revolução de 1930. Líder da maioria, líder da oposição e presidente da Casa por dois mandatos. Embaixador em Portugal, nos Estados Unidos e em Roma. Irmão de Antônio Carlos IV. Enquanto um articulava a Revolução de 1930, o outro presidia a Câmara e depois seguiu para a diplomacia.
Perfil completo ›4ª Geração · 1900–1986
Na quarta geração, os dois irmãos seguiram caminhos opostos: um para o Supremo Tribunal Federal, outro para a Câmara dos Deputados. Enquanto Antônio Carlos Lafayette fez carreira no Judiciário, José Bonifácio Lafayette ficou 33 anos consecutivos na Câmara dos Deputados.
Barbacena, 1900 – Rio de Janeiro, 1974
Ministro do Supremo Tribunal Federal de 1945 a 1969, presidente da Corte de 1962 a 1963. Aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional nº 6 durante a ditadura militar. O único Andrada que fez carreira exclusivamente no Judiciário.
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Barbacena, 1904 – Belo Horizonte, 1986
Conhecido como "Zezinho Andrada". Trinta e três anos ininterruptos na Câmara dos Deputados (1934–1967), presidente da Casa por dois mandatos. Atravessou o Estado Novo, a redemocratização de 1945 e o golpe de 1964 sem perder o mandato.
Perfil completo ›5ª Geração · 1928–2021
Na quinta geração, os Andradas dividiram-se entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Bonifácio José Tamm ficou quatro décadas no parlamento mineiro e federal. José Bonifácio Diniz seguiu pela Guanabara, pela Câmara dos Deputados e chegou ao Tribunal Superior Eleitoral.
5ª geração · Barbacena, 1930 – 2021
Deputado estadual por cinco mandatos (1959–1975) e deputado federal por dez mandatos (1979–2019), constituinte em 1988. Como secretário de Educação de Minas Gerais, criou as Superintendências Regionais de Ensino. Fundador da FUPAC e do UNIPAC. Membro da Academia Mineira de Letras e da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas.
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5ª geração · Rio de Janeiro, 1928 – 2002
Filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Antônio Carlos Lafayette de Andrada. Advogado e político, foi vereador no Distrito Federal, deputado estadual na Guanabara e deputado federal pelo MDB. Atuou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, presidiu CPI sobre o sistema penitenciário e, em 1992, foi nomeado ministro do Tribunal Superior Eleitoral.
Perfil completo ›6ª Geração · 1966–presente
Lafayette Luiz Doorgal de Andrada é deputado federal por Minas Gerais desde 2019. É o representante mais recente de uma família presente no Parlamento brasileiro desde as Cortes de Lisboa.
6ª geração · Belo Horizonte, 1966 – presente
Vereador, deputado estadual por três mandatos e deputado federal por Minas Gerais, eleito em 2018 e reeleito em 2022. Relator da Lei da Ficha Limpa em Minas Gerais. Presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados em 2025. Descendente direto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência.
Perfil completo ›Clique em qualquer card para conhecer a história de cada membro da família.
1ª Geração
José Bonifácio de Andrada e Silva
1763 – 1838
Martim Francisco Ribeiro de Andrada
1775 – 1844
Antônio Carlos Ribeiro de Andrada
1773 – 1845
Gabriella Frederica de Andrada
1800 – 1859
2ª Geração
Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Filho
1825 – 1886
José Bonifácio de Andrada e Silva, o Moço
1827 – 1886
Antônio Carlos Ribeiro de Andrada III
1835 – 1893
3ª Geração
Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Neto
1853 – 1927
Antônio Carlos Ribeiro de Andrada IV
1870 – 1946
José Bonifácio de Andrada e Silva, o Diplomata
1871 – 1954
4ª Geração
José Bonifácio Lafayette de Andrada
1904 – 1986
Antônio Carlos Lafayette de Andrada
1900 – 1974
5ª Geração
Bonifácio José Tamm de Andrada
1930 – 2021
José Bonifácio Diniz de Andrada
1928 – 2002
6ª Geração
Lafayette Luiz Doorgal de Andrada
1966