2ª Geração · Segundo Reinado e República
Deputado geral no Império, senador constituinte estadual em Minas Gerais e fundador do ramo mineiro da família Andrada. Seu voto, dado numa cadeira carregada ao plenário, definiu Belo Horizonte como capital de Minas Gerais.
Terceiro filho de Martim Francisco Ribeiro de Andrada e Gabriella Frederica a entrar na vida pública, Antônio Carlos nasceu em Santos em 1835 e formou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1862. Dois anos depois, transferiu-se para Barbacena, em Minas Gerais, onde se casaria com Adelaide de Lima Duarte, irmã do Visconde de Lima Duarte e filha do comendador Feliciano Coelho Duarte, proprietário da Fazenda da Borda do Campo. Pelo lado materno, Adelaide era bisneta do inconfidente mineiro José Aires Gomes.
Em Barbacena fincou raízes definitivas. Foi jornalista e advogado, juiz municipal e de órfãos, vereador e presidente da Câmara Municipal. Do casamento nasceram treze filhos, entre eles Antônio Carlos Ribeiro de Andrada IV, futuro presidente de Minas Gerais, e o embaixador José Bonifácio de Andrada e Silva.
Foi deputado geral no Império em 1885 e 1886. Naquele mesmo ano de 1886 declarou-se republicano. Seus irmãos José Bonifácio, o Moço, e Martim Francisco, o Filho, permaneceriam monarquistas até a morte. Antônio Carlos seguiu caminho diferente e ajudou a dirigir a Associação Jornalística de Barbacena, fundadora do jornal Correio de Barbacena.
Com a proclamação da República, candidatou-se sem sucesso à Constituinte Federal em setembro de 1890. Em janeiro de 1891, foi eleito senador constituinte estadual por Minas Gerais.
Na sessão de 5 de junho de 1891, subscreveu o substitutivo que determinava a escolha de uma nova capital por uma comissão técnica, chegando a propor emenda para que a cidade escolhida fosse a própria Barbacena. A proposta não venceu.
O momento decisivo chegou em 13 de dezembro de 1893, em sessão reunida excepcionalmente em Barbacena. A emenda que definia Belo Horizonte como nova capital de Minas Gerais venceu por apenas dois votos. Um deles foi o de Antônio Carlos. O historiador Abílio Barreto registrou que ele, já gravemente enfermo e incapaz de caminhar, foi transportado ao Congresso numa cadeira para poder votar.
Treze dias depois, morreu em sua Fazenda da Borda do Campo.
Ao transferir a família de Santos para Barbacena, Antônio Carlos deu início ao ramo mineiro dos Andrada. O cronista Xavier da Veiga, em suas Efemérides Mineiras, o descreveu como "chefe de família modelo, cidadão patriota, por um espírito de inflexível probidade e pela paixão nobre do direito e da justiça", lembrando como ele colocava seu prestígio a favor dos fracos diante de poderosos.