Parte II · Acervo histórico e genealógico

Família Andrada

Como uma família atravessou dois séculos de história sem nunca sair de cena.

1825 — presente

Pesquisa e Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto

Depois dos três irmãos que moldaram a Independência, a família Andrada não desapareceu da vida pública brasileira. Ao contrário: seus descendentes atravessaram o Império, a República, a Era Vargas, o regime militar e a redemocratização ocupando ministérios, governos estaduais, cadeiras no Parlamento, no Supremo Tribunal Federal e no Congresso Nacional.

Não se trata apenas de uma sucessão familiar. Em cada geração, pelo menos um Andrada ocupou um cargo decisivo no país. Dez nomes, quatro momentos históricos, quase dois séculos de presença política.

2ª Geração · 1825–1893

A geração do Segundo Reinado

Filhos de Martim Francisco e de Gabriella Frederica de Andrada, filha de José Bonifácio, esses três Andradas chegaram à vida pública no auge do Segundo Reinado. Foram ministros, senadores, conselheiros de Estado e presidente da Câmara. Mas seguiram caminhos diferentes: enquanto Martim Francisco, o Filho, e José Bonifácio, o Moço, permaneceram monarquistas até o fim, Antônio Carlos, o Senador, declarou-se republicano em 1886 e transferiu a família para Barbacena. O ramo mineiro que ele fundou ali produziria as quatro gerações seguintes desta lista.

Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Filho

França, 1825 – 1886

Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Filho

Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Justiça durante a Guerra do Paraguai. Conselheiro de Estado e conselheiro pessoal de D. Pedro II. Presidente da Câmara dos Deputados em 1882. Monárquico convicto até o fim da vida.

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José Bonifácio de Andrada e Silva, o Moço

Bordéus, 1827 – São Paulo, 1886

José Bonifácio de Andrada e Silva, o Moço

Professor na Faculdade de Direito de São Paulo, teve entre seus alunos Rui Barbosa, Castro Alves, Joaquim Nabuco e Afonso Pena. Deputado, ministro da Marinha, ministro do Império e senador. Recusou o convite de D. Pedro II para presidir o Conselho de Ministros. Joaquim Nabuco o chamou de "a mais nobre, a mais pura, a mais alta individualidade do nosso país". Patrono da cadeira nº 22 da Academia Brasileira de Letras.

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Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o Senador

Santos, 1835 – Barbacena, 1893

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o Senador

Declarou-se republicano em 1886, quando seus próprios irmãos ainda defendiam a monarquia. Transferiu-se para Barbacena, onde casou e criou treze filhos. Senador constituinte estadual em 1891, foi protagonista do debate que fixou Belo Horizonte como nova capital de Minas Gerais. Do casamento nasceram Antônio Carlos IV e o embaixador José Bonifácio.

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3ª Geração · 1853–1954

A Primeira República

Com a passagem para a República, a força política da família deslocou-se de São Paulo para Minas Gerais. Em Barbacena, os descendentes de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o Senador, formaram o ramo que chegaria ao governo de Minas, à Câmara dos Deputados, à diplomacia e à Revolução de 1930.

Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Neto

São Paulo, 1853 – Rio de Janeiro, 1927

Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Neto

Deputado provincial, presidente da província do Espírito Santo e secretário da Fazenda de São Paulo. Federalista que chegou a defender a separação de São Paulo do restante do país. A posição lhe custou a prisão sob Floriano Peixoto.

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Antônio Carlos Ribeiro de Andrada IV

Barbacena, 1870 – Belo Horizonte, 1946

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada IV

Presidente do estado de Minas Gerais de 1926 a 1930. Um dos líderes civis da Revolução de 1930, autor da frase que resume o impasse que a deflagrou: "Façamos a revolução antes que o povo a faça." Presidente da Câmara dos Deputados e principal articulador da Assembleia Nacional Constituinte de 1934.

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José Bonifácio de Andrada e Silva, o Embaixador

Barbacena, 1871 – Rio de Janeiro, 1954

José Bonifácio de Andrada e Silva, o Embaixador

Trinta anos ininterruptos na Câmara dos Deputados, da República Velha à Revolução de 1930. Líder da maioria, líder da oposição e presidente da Casa por dois mandatos. Embaixador em Portugal, nos Estados Unidos e em Roma. Irmão de Antônio Carlos IV. Enquanto um articulava a Revolução de 1930, o outro presidia a Câmara e depois seguiu para a diplomacia.

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4ª Geração · 1900–1986

Entre o Supremo e o Parlamento

Na quarta geração, os dois irmãos seguiram caminhos opostos: um para o Supremo Tribunal Federal, outro para a Câmara dos Deputados. Enquanto Antônio Carlos Lafayette fez carreira no Judiciário, José Bonifácio Lafayette ficou 33 anos consecutivos na Câmara dos Deputados.

Antônio Carlos Lafayette de Andrada

Barbacena, 1900 – Rio de Janeiro, 1974

Antônio Carlos Lafayette de Andrada

Ministro do Supremo Tribunal Federal de 1945 a 1969, presidente da Corte de 1962 a 1963. Aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional nº 6 durante a ditadura militar. O único Andrada que fez carreira exclusivamente no Judiciário.

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José Bonifácio Lafayette de Andrada

Barbacena, 1904 – Belo Horizonte, 1986

José Bonifácio Lafayette de Andrada

Conhecido como "Zezinho Andrada". Trinta e três anos ininterruptos na Câmara dos Deputados (1934–1967), presidente da Casa por dois mandatos. Atravessou o Estado Novo, a redemocratização de 1945 e o golpe de 1964 sem perder o mandato.

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5ª Geração · 1928–2021

A quinta geração

Na quinta geração, os Andradas dividiram-se entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Bonifácio José Tamm ficou quatro décadas no parlamento mineiro e federal. José Bonifácio Diniz seguiu pela Guanabara, pela Câmara dos Deputados e chegou ao Tribunal Superior Eleitoral.

Bonifácio José Tamm de Andrada

5ª geração · Barbacena, 1930 – 2021

Bonifácio José Tamm de Andrada

Deputado estadual por cinco mandatos (1959–1975) e deputado federal por dez mandatos (1979–2019), constituinte em 1988. Como secretário de Educação de Minas Gerais, criou as Superintendências Regionais de Ensino. Fundador da FUPAC e do UNIPAC. Membro da Academia Mineira de Letras e da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas.

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José Bonifácio Diniz de Andrada

5ª geração · Rio de Janeiro, 1928 – 2002

José Bonifácio Diniz de Andrada

Filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Antônio Carlos Lafayette de Andrada. Advogado e político, foi vereador no Distrito Federal, deputado estadual na Guanabara e deputado federal pelo MDB. Atuou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, presidiu CPI sobre o sistema penitenciário e, em 1992, foi nomeado ministro do Tribunal Superior Eleitoral.

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6ª Geração · 1966–presente

A linhagem parlamentar contemporânea

Lafayette Luiz Doorgal de Andrada é deputado federal por Minas Gerais desde 2019. É o representante mais recente de uma família presente no Parlamento brasileiro desde as Cortes de Lisboa.

Lafayette Luiz Doorgal de Andrada

6ª geração · Belo Horizonte, 1966 – presente

Lafayette Luiz Doorgal de Andrada

Vereador, deputado estadual por três mandatos e deputado federal por Minas Gerais, eleito em 2018 e reeleito em 2022. Relator da Lei da Ficha Limpa em Minas Gerais. Presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados em 2025. Descendente direto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência.

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