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José Bonifácio de Andrada e Silva, o Embaixador
José Bonifácio de Andrada e Silva, o Embaixador
Curadoria e digitalização: Pedro Lorenzo Raggio Neto

3ª Geração · Primeira República e Era Vargas

José Bonifácio de Andrada e Silva, o Embaixador

Trinta anos ininterruptos na Câmara dos Deputados. Líder da Aliança Liberal, presidente da Casa por dois mandatos. Depois de 1930, uma segunda carreira: embaixador em Lisboa, Washington e junto à Santa Sé.

Nascimento
29 de setembro de 1871, Barbacena, Minas Gerais
Falecimento
24 de fevereiro de 1954, Rio de Janeiro
Filiação
Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o Senador (1835–1893) e Adelaide de Lima Duarte
Casamento
Corina Lafayette de Andrada, filha do conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira
Cargos principais
Deputado federal (1899–1930), presidente da Câmara dos Deputados (dois mandatos), embaixador em Lisboa (1931), Buenos Aires (1933) e junto à Santa Sé

De Barbacena ao Parlamento

Filho do senador Antônio Carlos, o Senador, e irmão de Antônio Carlos IV, José Bonifácio formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo em 1891 e voltou a Barbacena, onde se tornou advogado reconhecido pela eloquência no júri, professor de Geografia no Ginásio Mineiro e diretor do Liceu de Barbacena. Casou-se com Corina Lafayette de Andrada, filha do conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, jurisconsulto e político do Império. O sobrenome Lafayette que os filhos carregariam vem daí.

Ingressou na Câmara dos Deputados em 1899 e se reelegeria sucessivamente até 1930. Foram trinta anos ininterruptos na mesma Casa.

A liderança parlamentar

Foi um dos líderes parlamentares da Aliança Liberal, ao lado de João Neves da Fontoura, na oposição às candidaturas situacionistas de Júlio Prestes e Vital Soares. Em 5 de agosto de 1929, no Palácio Tiradentes, fez o discurso que formalizou o rompimento das bancadas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba com o governo federal. Foi o primeiro bloco parlamentar de oposição organizada da República.

João Neves da Fontoura o descreveria assim:

"Na tribuna, José Bonifácio conquistava logo a atenção do auditório, pelo porte desempenado a que as barbas já grisalhas emprestavam o aspecto de político do império."

Seu adversário Humberto Campos registrou impressão semelhante, descrevendo "olhos negros e vivos" que lhe davam "qualquer coisa de messiânico, de profético". Com a Revolução de 1930, foi perseguido e teve de se asilar na embaixada da Argentina.

A carreira diplomática

Em 1931, foi nomeado embaixador em Lisboa, onde participou da assinatura do Acordo Ortográfico entre Brasil e Portugal. O escritor português Júlio Dantas reconheceria publicamente, na Academia de Lisboa, sua contribuição para "na sua expressão escrita, a unidade intercontinental da língua portuguesa".

Em 1933, assumiu a embaixada em Buenos Aires, atuando como delegado brasileiro na mediação de paz entre Bolívia e Paraguai. Encerrou a carreira como embaixador junto à Santa Sé, no pontificado de Pio XI, tendo como secretário de Estado o cardeal Eugênio Pacelli, o futuro Papa Pio XII.

Recebeu condecorações do Peru, de Portugal, da Bolívia e da Santa Sé. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e de diversas sociedades de geografia e direito internacional.

O julgamento da história

À sua morte, o jurista Alcino Salazar resumiu o significado de sua trajetória:

"A existência do Andrada que por último desapareceu... está íntima e indissoluvelmente encadeada à história da Nação."

A frase tinha fundamento concreto: seu pai havia fundado o ramo mineiro em Barbacena; seu irmão havia liderado a Revolução de 1930; seus filhos Antônio Carlos Lafayette e José Bonifácio Lafayette chegariam ao STF e à presidência da Câmara dos Deputados.

Pesquisa e curadoria: Pedro Lorenzo Raggio Neto.