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José Bonifácio Lafayette de Andrada, Zezinho Andrada
José Bonifácio Lafayette de Andrada
Curadoria e digitalização: Pedro Lorenzo Raggio Neto

4ª Geração · República

José Bonifácio Lafayette de Andrada

Conhecido como "Zezinho Andrada". Trinta e três anos ininterruptos na Câmara dos Deputados, presidente da Casa por dois mandatos. Revolucionário em 1930, signatário do Manifesto dos Mineiros em 1943.

Nascimento
1 de maio de 1904, Barbacena, Minas Gerais
Falecimento
18 de fevereiro de 1986, Belo Horizonte, Minas Gerais
Filiação
José Bonifácio de Andrada e Silva, o Embaixador (1871–1954) e Corina Lafayette de Andrada
Casamento
Vera Raimunda Tamm de Andrada
Cargos principais
Prefeito de Barbacena (1931–1934), deputado à Assembleia Constituinte de Minas Gerais, deputado federal (1945–1979), presidente da Câmara dos Deputados (1968–1970)

Formação e primeiros anos

Irmão de Antônio Carlos Lafayette de Andrada e filho do embaixador José Bonifácio de Andrada e Silva e de Corina Lafayette de Andrada, José Bonifácio Lafayette fez os estudos primários em Barbacena e o secundário nos colégios Santo Inácio, no Rio de Janeiro, e Anchieta, em Nova Friburgo. Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro em 1927 e tornou-se oficial de gabinete do secretário de Segurança Pública de Minas Gerais, José Francisco Bias Fortes. A relação com os Bias Fortes começava aí como parceria e se tornaria, com o tempo, uma das maiores rivalidades da política mineira, retratada por Fernando Sabino em O grande mentecapto.

Tinha ainda um terceiro irmão, Martim Francisco Lafayette de Andrada, que seria embaixador do Brasil no Peru entre 1968 e 1969.

A Revolução de 1930

Em 1929 e 1930, enquanto lecionava história do Brasil em Barbacena, já conspirava pela Revolução de 1930 ao lado de oficiais como Eduardo Gomes. Anos depois confessaria: "não ia muito dar aula, só uma vez ou outra". Eclodida a revolução em 3 de outubro, tornou-se assistente civil da 4ª Região Militar Revolucionária, responsável por obter armas e homens para o movimento, e fundou o Jornal Revolucionário, publicação que ele mesmo descreveu como tendo nascido "exclusiva e unicamente para a Revolução... para a salvação do Brasil", e que circulou só até o fim daquele mês, vitorioso o movimento.

Foi prefeito de Barbacena de 1931 a 1934 e depois deputado à Assembleia Constituinte de Minas Gerais, permanecendo na Assembleia mineira até o fechamento de todos os órgãos legislativos pelo Estado Novo em 1937. Voltou então à advocacia, defendendo perseguidos políticos pelo regime de Vargas.

O Manifesto dos Mineiros

Em 1943, foi um dos signatários do Manifesto dos Mineiros, primeira manifestação ostensiva de lideranças liberais e conservadoras contra o Estado Novo, ao lado de nomes como Pedro Aleixo, Milton Campos e Afonso Arinos de Melo Franco. O documento circulou clandestinamente. Vários signatários perderam emprego ou sofreram perseguição.

Trinta e três anos na Câmara

Em 1945 ajudou a fundar a União Democrática Nacional e participou da campanha presidencial do brigadeiro Eduardo Gomes. Elegeu-se em dezembro daquele ano deputado à Assembleia Nacional Constituinte, iniciando uma permanência ininterrupta na Câmara dos Deputados que duraria trinta e três anos.

Em 1958, foi eleito primeiro-secretário da mesa da Câmara, cargo que ocupou até 1965. Com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, posicionou-se a favor da posse de João Goulart, embora discordasse de sua linha política. Com a extinção dos partidos pelo Ato Institucional nº 2, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional. Em fevereiro de 1968, já no governo do general Costa e Silva, foi eleito presidente da Câmara dos Deputados.

O AI-5 e a presidência da Câmara

Foi sob sua presidência, em dezembro de 1968, que o Congresso recusou autorizar o processo contra o deputado Márcio Moreira Alves, levando o presidente Costa e Silva a editar o Ato Institucional nº 5 e decretar o recesso do Legislativo por tempo indeterminado. Diante dos apelos de companheiros de Câmara, José Bonifácio optou por não tomar qualquer atitude que pudesse parecer contestar o governo. O recesso só foi suspenso em outubro de 1969, para que o Congresso referendasse a escolha do general Médici para a Presidência.

Deixou a presidência da Câmara em 1970 e seguiu na liderança da Arena, tornando-se líder do governo na Câmara sob o presidente Ernesto Geisel a partir de 1975. Anunciou em 1978 que não buscaria reeleição. Deixou o mandato em janeiro de 1979. Presidiu depois o conselho de administração do Banco de Crédito Real de Minas Gerais até 1983. Morreu em Belo Horizonte em 18 de fevereiro de 1986.

Família

Casou-se com Vera Raimunda Tamm de Andrada, com quem teve três filhos: Bonifácio José Tamm de Andrada, advogado, professor de Direito e futuro deputado estadual e federal; José Bonifácio Tamm de Andrada, também advogado e deputado estadual; e Luiza. Foi colaborador de publicações do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

Pesquisa e curadoria: Pedro Lorenzo Raggio Neto.