4ª Geração · República
Conhecido como "Zezinho Andrada". Trinta e três anos ininterruptos na Câmara dos Deputados, presidente da Casa por dois mandatos. Revolucionário em 1930, signatário do Manifesto dos Mineiros em 1943.
Irmão de Antônio Carlos Lafayette de Andrada e filho do embaixador José Bonifácio de Andrada e Silva e de Corina Lafayette de Andrada, José Bonifácio Lafayette fez os estudos primários em Barbacena e o secundário nos colégios Santo Inácio, no Rio de Janeiro, e Anchieta, em Nova Friburgo. Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro em 1927 e tornou-se oficial de gabinete do secretário de Segurança Pública de Minas Gerais, José Francisco Bias Fortes. A relação com os Bias Fortes começava aí como parceria e se tornaria, com o tempo, uma das maiores rivalidades da política mineira, retratada por Fernando Sabino em O grande mentecapto.
Tinha ainda um terceiro irmão, Martim Francisco Lafayette de Andrada, que seria embaixador do Brasil no Peru entre 1968 e 1969.
Em 1929 e 1930, enquanto lecionava história do Brasil em Barbacena, já conspirava pela Revolução de 1930 ao lado de oficiais como Eduardo Gomes. Anos depois confessaria: "não ia muito dar aula, só uma vez ou outra". Eclodida a revolução em 3 de outubro, tornou-se assistente civil da 4ª Região Militar Revolucionária, responsável por obter armas e homens para o movimento, e fundou o Jornal Revolucionário, publicação que ele mesmo descreveu como tendo nascido "exclusiva e unicamente para a Revolução... para a salvação do Brasil", e que circulou só até o fim daquele mês, vitorioso o movimento.
Foi prefeito de Barbacena de 1931 a 1934 e depois deputado à Assembleia Constituinte de Minas Gerais, permanecendo na Assembleia mineira até o fechamento de todos os órgãos legislativos pelo Estado Novo em 1937. Voltou então à advocacia, defendendo perseguidos políticos pelo regime de Vargas.
Em 1943, foi um dos signatários do Manifesto dos Mineiros, primeira manifestação ostensiva de lideranças liberais e conservadoras contra o Estado Novo, ao lado de nomes como Pedro Aleixo, Milton Campos e Afonso Arinos de Melo Franco. O documento circulou clandestinamente. Vários signatários perderam emprego ou sofreram perseguição.
Em 1945 ajudou a fundar a União Democrática Nacional e participou da campanha presidencial do brigadeiro Eduardo Gomes. Elegeu-se em dezembro daquele ano deputado à Assembleia Nacional Constituinte, iniciando uma permanência ininterrupta na Câmara dos Deputados que duraria trinta e três anos.
Em 1958, foi eleito primeiro-secretário da mesa da Câmara, cargo que ocupou até 1965. Com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, posicionou-se a favor da posse de João Goulart, embora discordasse de sua linha política. Com a extinção dos partidos pelo Ato Institucional nº 2, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional. Em fevereiro de 1968, já no governo do general Costa e Silva, foi eleito presidente da Câmara dos Deputados.
Foi sob sua presidência, em dezembro de 1968, que o Congresso recusou autorizar o processo contra o deputado Márcio Moreira Alves, levando o presidente Costa e Silva a editar o Ato Institucional nº 5 e decretar o recesso do Legislativo por tempo indeterminado. Diante dos apelos de companheiros de Câmara, José Bonifácio optou por não tomar qualquer atitude que pudesse parecer contestar o governo. O recesso só foi suspenso em outubro de 1969, para que o Congresso referendasse a escolha do general Médici para a Presidência.
Deixou a presidência da Câmara em 1970 e seguiu na liderança da Arena, tornando-se líder do governo na Câmara sob o presidente Ernesto Geisel a partir de 1975. Anunciou em 1978 que não buscaria reeleição. Deixou o mandato em janeiro de 1979. Presidiu depois o conselho de administração do Banco de Crédito Real de Minas Gerais até 1983. Morreu em Belo Horizonte em 18 de fevereiro de 1986.
Casou-se com Vera Raimunda Tamm de Andrada, com quem teve três filhos: Bonifácio José Tamm de Andrada, advogado, professor de Direito e futuro deputado estadual e federal; José Bonifácio Tamm de Andrada, também advogado e deputado estadual; e Luiza. Foi colaborador de publicações do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
Pesquisa e curadoria: Pedro Lorenzo Raggio Neto.