2ª Geração · Segundo Reinado
Professor das Arcadas, ministro, senador abolicionista e patrono da cadeira nº 22 da Academia Brasileira de Letras. Joaquim Nabuco o chamou de "a mais nobre, a mais pura, a mais alta individualidade do nosso país".
José Bonifácio, o Moço, nasceu em Bordéus em 1827, durante o segundo exílio do pai, Martim Francisco Ribeiro de Andrada. Pela mãe, Gabriella Frederica, era neto direto do Patriarca da Independência; pelo pai, era filho do conselheiro Martim Francisco. Era, portanto, sobrinho e neto do mesmo homem.
Começou os estudos na Escola Militar entre 1842 e 1845, mas abandonou a carreira das armas por motivos de saúde. Formou-se em Direito em 1853, pela Faculdade de São Paulo, e ensinou como professor substituto na Faculdade de Direito do Recife entre 1854 e 1858, antes de se fixar definitivamente em São Paulo. Lá se tornou catedrático nas arcadas paulistas. Em sala, defendia a descentralização administrativa, a emancipação dos escravos e a soberania popular. Entre seus alunos estariam Rui Barbosa, Castro Alves, Afonso Pena, Salvador de Mendonça e Joaquim Nabuco.
Estreou na política como deputado provincial em 1860 e foi deputado geral por duas legislaturas, de 1861 a 1868. No mesmo período, ocupou dois ministérios: o da Marinha em 1862 e o do Império em 1864, ambos no Gabinete Zacarias. Defendeu a descentralização administrativa e os ideais de uma burguesia progressista, falando em soberania popular numa linguagem ainda rara no Parlamento do Império.
Eleito senador em 1879, participou ativamente da campanha abolicionista. Em 1883, quando D. Pedro II o convidou para presidir o Conselho de Ministros, recusou. Era o posto mais alto do Império, e ele disse não.
Publicou em 1848 o livro Rosas e goivos, que o situa entre os jovens românticos de sua geração acadêmica, ao lado de Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães e Aureliano Lessa. Os historiadores da literatura o classificam entre os poetas menores do Romantismo. Quem conviveu com ele guardou outra memória.
Morreu subitamente em São Paulo, a 26 de outubro de 1886, a poucos dias de completar 59 anos. No dia seguinte, Joaquim Nabuco publicou seu julgamento:
"A mais nobre, a mais pura, a mais alta individualidade do nosso país."
Rui Barbosa foi além e o situou não entre os poetas, mas entre os homens de pensamento e de ação, como guia de toda uma geração. Os dois tinham sido seus alunos nas arcadas paulistas.
Por escolha de Medeiros e Albuquerque, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, José Bonifácio, o Moço, se tornou patrono da cadeira nº 22.