3ª Geração · Império e Primeira República
Deputado provincial e geral, presidente da província do Espírito Santo, secretário da Fazenda de São Paulo. Federalista radical, jornalista e escritor que chegou a defender a separação de São Paulo. Pagou a posição com a prisão sob Floriano Peixoto.
Filho de Martim Francisco, o Filho, e de Ana Benvinda Bueno de Andrada, Martim Francisco, o Neto, formou-se em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo. Ainda estudante, revelou vocação pelo jornalismo: escreveu para a Imprensa Acadêmica em 1871 e para o periódico republicano A Crença em 1873. Ao contrário do pai e do tio, que permaneceram monarquistas até o fim, ele aderiu cedo ao movimento republicano.
Elegeu-se deputado provincial por São Paulo em 1878 e 1879, e deputado geral do Império em 1881. No ano seguinte, foi nomeado por carta imperial presidente da província do Espírito Santo, cargo que exerceu de dezembro de 1882 a abril de 1883. Foi durante esse período no Espírito Santo que conheceu Úrsula da Silva Lima, neta do Barão de Itapemirim, com quem se casaria.
Com a proclamação da República, alinhou-se às fileiras federalistas e passou a escrever no jornal O Provinciano. Foi senador estadual e secretário da Fazenda de São Paulo, e constituinte estadual paulista em 1891. A posição política mais radical de sua vida veio logo depois: opôs-se com veemência ao governo de Floriano Peixoto e chegou a defender, em artigo publicado na imprensa, a separação de São Paulo do restante do país. A posição lhe custou a prisão.
Depois desse episódio, afastou-se gradualmente da política ativa. Voltou à advocacia e à história, sem deixar de escrever. Elegeu-se deputado federal em 1909, mas não voltou a ter papel de destaque na política.
Na última fase de sua vida, Martim Francisco, o Neto, dedicou-se à crônica e ao humor. Publicou Rindo (1919), Contribuindo (1921) e Gracejando, além do Júri de Araras (1920). Em 1924, entusiasmou-se pela Revolução Paulista, como se o espírito federalista que havia marcado sua juventude voltasse a se manifestar na velhice.
Morreu no Rio de Janeiro em 20 de abril de 1927. Com ele, o ramo paulista saiu do centro da política nacional. Em Barbacena, os filhos do senador Antônio Carlos já ocupavam esse lugar.
Pesquisa e curadoria: Pedro Lorenzo Raggio Neto.