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Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Neto
Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Neto
Curadoria e digitalização: Pedro Lorenzo Raggio Neto

3ª Geração · Império e Primeira República

Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Neto

Deputado provincial e geral, presidente da província do Espírito Santo, secretário da Fazenda de São Paulo. Federalista radical, jornalista e escritor que chegou a defender a separação de São Paulo. Pagou a posição com a prisão sob Floriano Peixoto.

Nascimento
11 de fevereiro de 1853, São Paulo
Falecimento
20 de abril de 1927, Rio de Janeiro
Filiação
Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Filho (1825–1886) e Ana Benvinda Bueno de Andrada
Casamento
Úrsula da Silva Lima, neta do Barão de Itapemirim
Cargos principais
Deputado provincial por São Paulo (1878, 1879), deputado geral do Império (1881), presidente da província do Espírito Santo (1882–1883), secretário da Fazenda de São Paulo, senador estadual, deputado federal (1909)

Formação e primeiros passos

Filho de Martim Francisco, o Filho, e de Ana Benvinda Bueno de Andrada, Martim Francisco, o Neto, formou-se em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo. Ainda estudante, revelou vocação pelo jornalismo: escreveu para a Imprensa Acadêmica em 1871 e para o periódico republicano A Crença em 1873. Ao contrário do pai e do tio, que permaneceram monarquistas até o fim, ele aderiu cedo ao movimento republicano.

A carreira política no Império

Elegeu-se deputado provincial por São Paulo em 1878 e 1879, e deputado geral do Império em 1881. No ano seguinte, foi nomeado por carta imperial presidente da província do Espírito Santo, cargo que exerceu de dezembro de 1882 a abril de 1883. Foi durante esse período no Espírito Santo que conheceu Úrsula da Silva Lima, neta do Barão de Itapemirim, com quem se casaria.

A República e o preço do federalismo

Com a proclamação da República, alinhou-se às fileiras federalistas e passou a escrever no jornal O Provinciano. Foi senador estadual e secretário da Fazenda de São Paulo, e constituinte estadual paulista em 1891. A posição política mais radical de sua vida veio logo depois: opôs-se com veemência ao governo de Floriano Peixoto e chegou a defender, em artigo publicado na imprensa, a separação de São Paulo do restante do país. A posição lhe custou a prisão.

Depois desse episódio, afastou-se gradualmente da política ativa. Voltou à advocacia e à história, sem deixar de escrever. Elegeu-se deputado federal em 1909, mas não voltou a ter papel de destaque na política.

O escritor

Na última fase de sua vida, Martim Francisco, o Neto, dedicou-se à crônica e ao humor. Publicou Rindo (1919), Contribuindo (1921) e Gracejando, além do Júri de Araras (1920). Em 1924, entusiasmou-se pela Revolução Paulista, como se o espírito federalista que havia marcado sua juventude voltasse a se manifestar na velhice.

Morreu no Rio de Janeiro em 20 de abril de 1927. Com ele, o ramo paulista saiu do centro da política nacional. Em Barbacena, os filhos do senador Antônio Carlos já ocupavam esse lugar.

Pesquisa e curadoria: Pedro Lorenzo Raggio Neto.