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Antônio Carlos Ribeiro de Andrada IV
Antônio Carlos Ribeiro de Andrada IV
Curadoria e digitalização: Pedro Lorenzo Raggio Neto

3ª Geração · Primeira República e Era Vargas

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada IV

Presidente de Minas Gerais, articulador da Revolução de 1930 e presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1934. O único Andrada a exercer, ainda que interinamente, a Presidência da República.

Nascimento
5 de setembro de 1870, Antônio Carlos, Minas Gerais
Falecimento
1 de janeiro de 1946, Rio de Janeiro
Filiação
Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o Senador (1835–1893) e Adelaide de Lima Duarte
Casamento
Julieta de Araújo Lima Guimarães, bisneta do Marquês de Olinda
Cargos principais
Ministro da Fazenda (1917–1918), presidente do Estado de Minas Gerais (1926–1930), presidente da Assembleia Nacional Constituinte (1933–1934), presidente da Câmara dos Deputados (1934–1937), presidente interino da República (maio–julho de 1935)

Formação e início de carreira

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada nasceu na cidade que hoje leva seu nome, em Minas Gerais, a 5 de setembro de 1870. Filho do senador Antônio Carlos, o Senador, e de Adelaide de Lima Duarte, bisneta de inconfidentes, formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo em 1891. Ainda estudante, fundou com colegas como Delfim Moreira e Wenceslau Brás o Clube Republicano dos Estudantes Mineiros. Começou a vida pública como promotor em Ubá e depois lecionou História Geral e Direito Comercial em Juiz de Fora, cidade da qual viria a ser vereador e prefeito.

Casou-se com Julieta de Araújo Lima Guimarães, bisneta do Marquês de Olinda. Três municípios brasileiros, dois em Minas Gerais e um em Santa Catarina, levam hoje seu nome em homenagem.

A República Velha e o Ministério da Fazenda

Foi líder da maioria governista na Câmara dos Deputados durante a presidência de Venceslau Brás e ministro da Fazenda entre 1917 e 1918, ainda sob o impacto da Primeira Guerra Mundial. Na Câmara, foi além da fidelidade governista: participou de comissões de direito constitucional e fez da tribuna um espaço de argumentação jurídica.

O governo de Minas

Eleito presidente do Estado de Minas Gerais em 1926, governou até 1930. Nesse período instituiu o voto secreto nas eleições mineiras, feito inédito no país, e promoveu ampla reforma educacional, incluindo a criação da Universidade de Minas Gerais em 1927. Foi nesse governo que pronunciou a frase pela qual ainda é lembrado:

"Façamos a revolução antes que o povo a faça."

A frase resumia o dilema de uma elite que via no movimento controlado a única alternativa à ruptura descontrolada. Antônio Carlos não era um revolucionário por temperamento: era um constitucionalista que concluiu, em determinado momento, que a revolução era o único caminho para preservar a ordem.

A Revolução de 1930

Foi, com João Pessoa, o principal articulador da Aliança Liberal, movimento que lançou Getúlio Vargas contra o candidato situacionista Júlio Prestes e que desembocaria na Revolução de 1930. Ao lado do irmão José Bonifácio, o Embaixador, que liderava a oposição na Câmara, os dois Andradas de Barbacena construíram o bloco parlamentar que formalizou a ruptura com o governo federal em agosto de 1929.

A Constituinte de 1934 e a Presidência interina

Em 1932, integrou a comissão designada pelo próprio governo Vargas para redigir o anteprojeto da nova Constituição. Foi eleito presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1933 a 1934, e presidiu, na sequência, a Câmara dos Deputados de 1934 a 1937.

Foi nesse intervalo que viveu o momento mais singular de sua trajetória: de 17 de maio a 8 de julho de 1935, exerceu a Presidência da República como substituto legal, durante viagem oficial de Getúlio Vargas ao Uruguai e à Argentina. É o único Andrada a ter ocupado, ainda que interinamente, o posto mais alto do país.

A ruptura com Vargas

Democrata convicto, rompeu definitivamente com Vargas após o golpe do Estado Novo em 1937 e se manteve afastado da vida pública até 1942, quando concedeu à revista Diretrizes uma entrevista de grande repercussão:

"As democracias vencerão a opressão; sou virtualmente contra as ditaduras."

A entrevista antecipou o Manifesto dos Mineiros, assinado no ano seguinte. Morreu no Rio de Janeiro em 1 de janeiro de 1946, poucos meses antes da queda de Vargas.

Pesquisa e curadoria: Pedro Lorenzo Raggio Neto.