3ª Geração · Primeira República e Era Vargas
Presidente de Minas Gerais, articulador da Revolução de 1930 e presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1934. O único Andrada a exercer, ainda que interinamente, a Presidência da República.
Antônio Carlos Ribeiro de Andrada nasceu na cidade que hoje leva seu nome, em Minas Gerais, a 5 de setembro de 1870. Filho do senador Antônio Carlos, o Senador, e de Adelaide de Lima Duarte, bisneta de inconfidentes, formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo em 1891. Ainda estudante, fundou com colegas como Delfim Moreira e Wenceslau Brás o Clube Republicano dos Estudantes Mineiros. Começou a vida pública como promotor em Ubá e depois lecionou História Geral e Direito Comercial em Juiz de Fora, cidade da qual viria a ser vereador e prefeito.
Casou-se com Julieta de Araújo Lima Guimarães, bisneta do Marquês de Olinda. Três municípios brasileiros, dois em Minas Gerais e um em Santa Catarina, levam hoje seu nome em homenagem.
Foi líder da maioria governista na Câmara dos Deputados durante a presidência de Venceslau Brás e ministro da Fazenda entre 1917 e 1918, ainda sob o impacto da Primeira Guerra Mundial. Na Câmara, foi além da fidelidade governista: participou de comissões de direito constitucional e fez da tribuna um espaço de argumentação jurídica.
Eleito presidente do Estado de Minas Gerais em 1926, governou até 1930. Nesse período instituiu o voto secreto nas eleições mineiras, feito inédito no país, e promoveu ampla reforma educacional, incluindo a criação da Universidade de Minas Gerais em 1927. Foi nesse governo que pronunciou a frase pela qual ainda é lembrado:
"Façamos a revolução antes que o povo a faça."
A frase resumia o dilema de uma elite que via no movimento controlado a única alternativa à ruptura descontrolada. Antônio Carlos não era um revolucionário por temperamento: era um constitucionalista que concluiu, em determinado momento, que a revolução era o único caminho para preservar a ordem.
Foi, com João Pessoa, o principal articulador da Aliança Liberal, movimento que lançou Getúlio Vargas contra o candidato situacionista Júlio Prestes e que desembocaria na Revolução de 1930. Ao lado do irmão José Bonifácio, o Embaixador, que liderava a oposição na Câmara, os dois Andradas de Barbacena construíram o bloco parlamentar que formalizou a ruptura com o governo federal em agosto de 1929.
Em 1932, integrou a comissão designada pelo próprio governo Vargas para redigir o anteprojeto da nova Constituição. Foi eleito presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1933 a 1934, e presidiu, na sequência, a Câmara dos Deputados de 1934 a 1937.
Foi nesse intervalo que viveu o momento mais singular de sua trajetória: de 17 de maio a 8 de julho de 1935, exerceu a Presidência da República como substituto legal, durante viagem oficial de Getúlio Vargas ao Uruguai e à Argentina. É o único Andrada a ter ocupado, ainda que interinamente, o posto mais alto do país.
Democrata convicto, rompeu definitivamente com Vargas após o golpe do Estado Novo em 1937 e se manteve afastado da vida pública até 1942, quando concedeu à revista Diretrizes uma entrevista de grande repercussão:
"As democracias vencerão a opressão; sou virtualmente contra as ditaduras."
A entrevista antecipou o Manifesto dos Mineiros, assinado no ano seguinte. Morreu no Rio de Janeiro em 1 de janeiro de 1946, poucos meses antes da queda de Vargas.
Pesquisa e curadoria: Pedro Lorenzo Raggio Neto.